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O croata preserva três dialetos distintos — štokavski, kajkavski e čakavski — cada um nomeado pela respetiva palavra para 'o quê'. A norma padrão nasceu do štokavski, mas em viagem ouvirá variações deliciosas das planícies a norte de Zagreb até à costa dálmata, onde Split e Dubrovnik conservam traços čakavski.
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Boa notícia para qualquer português: o croata tem ortografia totalmente fonética. Cada uma das 30 letras corresponde a um único som, sem exceções. Depois de dominar o alfabeto, lê qualquer palavra croata correctamente à primeira — algo que nem o português europeu, com as suas vogais reduzidas, lhe oferece.
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A literatura croata tem mais de 1000 anos de tradição escrita contínua, começando com a Tábua de Baška, de cerca de 1100. A língua atravessou impérios austro-húngaros, jugoslavos e várias mudanças de regime sem perder identidade — uma resiliência cultural que ecoa a do próprio português ao longo dos séculos.
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Ao contrário do português, o croata manteve os sete casos gramaticais do proto-eslavo: nominativo, genitivo, dativo, acusativo, vocativo, locativo e instrumental. Compensam-se com muitas menos preposições e uma ordem de palavras quase poeticamente livre — depois de a Erla treinar o seu ouvido, deixa de ser intimidante.
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Já reparou que a 'gravata' que usa em Lisboa tem nome croata? A palavra vem de 'Hrvat' (croata) e nasceu com os mercenários croatas em França no século XVII. O croata continua a deixar marca na cultura europeia, da escrita glagolítica medieval às cenas literárias contemporâneas de Zagreb e Pula.